quarta-feira, abril 30, 2008

Decifra-me ou te devoro

De todas as críticas publicadas sobre o espetáculo Senhora dos Afogados a que mais me faz pensar sobre a encenação, a que descobriu vielas escondidas nas sombras do palco, desvendou becos não mapeados no universo das cenas, passagens do inconsciente, a que pensou com maior independência e originalidade o que está no palco do Teatro Anchieta foi a escrita por Mariângela Alves de Lima, no jornal O Estado de S. Paulo. Está reproduzida entre outras críticas compiladas na comunidade "O teatro vivo de Antunes Filho", no Orkut. Talvez ela tenha indicado o caminho para se chegar a uma compreensão racional mínima do que há de original nesta montagem. É a poesia rodrigueana o eixo de força desta montagem. Seria preciso uma teoria teatral à altura da nossa melhor teoria literária para que se pudesse analisar com o devido cuidado esta obra de Antunes Filho. Não creio que a tenhamos ainda.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Teatro é respiração...!

Respiração... Teatro é respiração. É o assunto de nossas conversas com o Antunes. Não é a palavra que fala, é a respiração que fala. A palavra é conseqüência. A palavra relata sempre o que já é passado. O pé respira. O joelho respira. Os quadris respiram. O lombo respira. Os cotovelos respiram. O corpo como um saco de bolinhas de pingue-pongue em movimento. Ecos de movimento. Movimento em onda. Desigual e combinado. Dessa respiração do corpo saem todos os movimentos musculares da expressão corporal e vocal. A respiração é a própria emoção. A sensação das sensações me dá o afastamento necessário. O fio de prata une minha alma ao meu corpo. Minha alma observa meu corpo. Do alto de seu afastamento, manipula-o sem agressão à cinética natural das forças gravitacionais físicas e psíquicas. Teatro é respiração. Palavras e idéias de Antunes Filho, sob a minha ótica... "respiratória".